Destempero

Expliquem-me, por favor: o que está acontecendo?

Você consegue diferenciar falta de educação e excesso de stress?

Tenho constantemente me deparado com atitudes cada vez mais arrogantes e agressivas.

Imagine a seguinte situação: você vai buscar seu filho na escola, combinou com ele um lugar de encontro. Ao chegar não o vê. Vai até o porteiro e esse explica-lhe que a criança não saiu. Você então agride verbalmente o funcionário. Grita, xinga, constrange a todos que estão próximos. Nesse momento, ao virar para trás, vê seu filho chegando. Então se altera mais ainda, puxa sua orelha e sai conduzindo aos tapas uma criança assustada e sem condição de se defender.

Não desconsidero que ao chegar tenha se assustado ao não ver seu filho, mas tudo isso acontece dentro de cinco minutos.

Por que tal reação? Intolerância? Tensão? Excesso de trabalho?

E aí você excede… O que ganhou? – Nada

O que perdeu? Tudo. Inclusive a chance de ser um modelo educativo para seu filho.

O funcionário e todos que assistiram à cena passam a olhá-lo com duplo sentimento. Medo e rejeição. Medo porque, se você reagiu assim, poderá repetir a atitude. Rejeição, porque não querem correr o risco de tê-lo por perto.

O que acabei de relatar é surpresa pra você?

Pois tenho visto isso acontecer em vários lugares: condomínios, supermercados, consultórios, escritórios, shoppings, etc.

Parece-me que existe uma fera dentro de cada um esperando o momento exato para atacar.

Pessimismo? Não, constatação.

Se as pessoas agridem seus próprios filhos e as pessoas que convivem com elas dá para imaginar do que são capazes com estranhos.

Tenho certeza de que ao se afastar ou passado algum tempo, vem o arrependimento e a culpa. Sentimentos que atingem não só o nosso corpo liberando toxinas, mas nossas emoções.

O que fazer?

Nunca foi tão importante “contar até dez”, pensar antes de agir, ver um ser humano à sua frente, fazer ao outro aquilo que quer para você.

Princípios religiosos? Sim, mas de civilidade também.

A convivência só é possível com respeito, cordialidade, uma pitada de aceitação das frustrações que surgirem.

Depois não adianta lamentar o tiro, o grito, a agressão e as conseqüências; a punição, o arrependimento e a solidão.

Pense antes, acalme-se e se não conseguir fazer isso sozinho, procure ajuda antes que ela não seja uma opção, mas algo imposto por sua família, pela lei ou pelo seu pior sentimento: o de que você não foi capaz de deixar de ser um animal para se tornar um ser humano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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